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Para viver, é preciso se tornar monstro

Lady Gaga se faz de monstra para provar que é uma sobrevivente.

Por Cícero Rogério do Nascimento

Foto: Reprodução/Canal Coachella no YouTube

Lady Gaga se faz de monstra para provar que é uma sobrevivente. “Monsters never die”, em tradução literal, “Monstros nunca morrem”.

No show de Gaga, transmitido pelo canal do YouTube, no segundo dia do festival Coachella 2025 (Indio, Califórnia/ EUA), a cantora estadunidense fala de um mundo de sonhos góticos que foi criado em cincos atos, contando com o final, para denunciar como é difícil sobreviver na sociedade em que nós próprios somos transformados em monstros de nós mesmos, dos outros e do Planeta onde vivemos. A arte é assim, seja ela Pop ou de outro estilo.

A arte de Lady Gaga, no espetáculo que será trazido para a praia de Copacabana, Rio de Janeiro/Brasil, no dia 3 de maio de 2025, às 21h, utiliza do disfarce, da dissimulação, do fake, que são características do ato de encenar, para mostrar como é a sobrevivência em um mundo podre e doente que nos transforma em monstros.

O cinema hollywoodiano utiliza o gênero Terror para mostrar o que a Psiquiatria chamava de desvios sexuais e a psicologia cunha de parafilia, comportamentos sexuais diferentes dos habituais, ao retratar um transgênero como um serial killer no filme “O Silêncio dos Inocentes” (The Silence off the Lambs -1991/EUA), ou em “A Substância” (The Substance – EUA/2024) ou “Pobres Criaturas” (Poor Things – EUA/ 2023).

As duas últimas películas trazem mulheres que são transformadas em monstros, seja pela sociedade, ou por si mesma,  no culto contemporâneo à beleza, à perfeição, ao hedonismo e ao narcisismo. Seja pela vontade de um criador, o qual tenta aprisionar a criatura forjada em laboratório, mas que ganha vida própria e vai viver em liberdade.

Não importa o produto ou a forma, se espetáculo musical ou cinema, a arte em diferentes linguagens e imagens, nos revela subjetividades políticas contemporâneas, para com uma lupa descortinar quem nós somos, ou em que, ou como fomos e estamos sendo transformados.

Ainda acho que Madonna é insuperável em show conceitual e crítica política por ser mais direta, ao denunciar a hipocrisia social, a qual dispõe para as mulheres cis e trans, lésbicas, gays, bissexuais e demais gêneros, um lugar de subserviência comedida em obediência castradora, que aniquila aquelas ou aqueles que ousam viver e ser quem são.

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